O “casamento sagrado” realmente existiu em Ur?

Nadi e o rei Ibbi-Sim são os personagens envolvidos no "casamento sagrado" retratado em Gênesis

Nadi e o rei Ibbi-Sim são os personagens envolvidos no "casamento sagrado" retratado em Gênesis

Reprodução/Record TV

O “casamento sagrado” realmente existiu em Ur?

Sim. A trama da novela optou pela versão clássica que interpreta a cerimônia como um ritual de união sexual em contexto religioso que fazia parte da celebração do Ano Novo, data mais importante do calendário mesopotâmico. Em uma dessas tradições, a mulher (sacerdotisa) representava a deusa Inanna e o rei o deus Dumuzi.

A crença era de que essa união deles promoveria a fertilidade e a prosperidade em Ur, além da proteção contra catástrofes e guerras. Era a festividade mais importante da cidade e não se restringia apenas a um jogo de interesses entre os poderes políticos e religiosos, como forma de legitimar o poder do rei e manter a influência do templo sob os costumes do povo, mas também envolvia grupos de devotos das mais diversas camadas sociais e as classes populares.

Assim, esse ritual era muito esperado por setores dispares da sociedade e influenciava no imaginário social ditando regras comportamentais, uma vez que havia uma devoção popular à deusa Inanna.

Mesmo os autores que defendem o rito como meramente simbólico, entendem que esse tipo de cerimônia teria sobrevivido até o primeiro milênio, onde se encontram pistas da celebração em textos que descrevem rituais reais tanto na Assíria quanto na Babilônia.

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