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Pan Lima 2019 Lute como Milena: conheça a brasileira que fez história no Pan

Lute como Milena: conheça a brasileira que fez história no Pan

Milena Titoneli é a primeira mulher do país a conquistar uma medalha de ouro no taekwondo na principal competição multiesportiva das Américas

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Milena é a 1ª mulher brasileira da categoria a levar medalha de ouro no Pan

Milena é a 1ª mulher brasileira da categoria a levar medalha de ouro no Pan

Washington Alves/COB

Aos 21 anos, Milena Titoneli é uma jovem de fala tímida e gestos contidos. Durante a infância em São Caetano, grande São Paulo, caía no choro ao ser provocada pelos coleguinhas por não saber jogar basquete. Aos 13, foi incentivada pela mãe a praticar algum esporte por ter “dado uma engordadinha”. Nesta semana, Milena atualizou as definições de “lute como uma garota” e fez história nos Jogos Pan-Americanos Lima 2019 ao se tornar a primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha de ouro no taekwondo.

Com uma simplicidade de menina, a atleta e sargento da Marinha é a prova de que nem toda mulher forte precisa se mostrar agressiva — mesmo que ela possa te derrubar com uns bons golpes.

“É uma vitória coletiva [a medalha de ouro no Pan], porque tem todas as pessoas que treinam com a gente. É tudo uma questão de união. Todos juntos chegamos à medalha”, explica Milena, que pede para faz registrar seu agradecimento à toda equipe, dos preparadores e nutricionistas aos pais e irmãos.

Na luta pelo Taekwondo

A medalha dourada no peito da atleta ganha cada vez mais importância quando se compreende o panorama do taekwondo no Brasil e no mundo: a luta só integrou os Jogos Pan-Americanos em 1987 e as Olimpíadas em 2000, dois anos após o nascimento de Milena. Antes de 2019, o único ouro brasileiro no esporte aconteceu em 2007, com o atleta Diogo Silva, que, na época, teceu duras críticas à Confederação. Uma década mais tarde, Milena garante que a situação melhorou, mas a falta de patrocínio ainda é uma realidade no esporte. Fora dos tatames, a luta é para que a modalidade seja mais valorizada no país.

"A maior dificuldade que a gente tem na carreira acontece no investimento financeiro"

Milena Titoneli

“A questão da [baixa] popularidade do esporte atrapalha.  A maior dificuldade que a gente tem na carreira acontece no investimento financeiro para as viagens e equipamentos para comprar. Temos ajuda da Marinha, da Bolsa Atleta de São Caetano, mas não é suficiente. Nossos pais se desdobram para ajudar. ”

O dia-a-dia de atleta

Milena conta que a família teve de ajudar com boa parte dos custos da vida de atleta, mesmo quando começou a se profissionalizar. Os maiores torcedores eram os pais dela, que investiam na paixão pela luta, mesmo receosos. “No começo, minha família achou meio esquisito. Minha mãe sempre quis que eu fizesse vôlei ou baquete. Chegava em casa machucada e meu pai ficava preocupado”, revela a medalhista.

O talento da jovem logo começou a justificar o investimento dos pais: em 2014, ela foi a primeira brasileira a se classificar para os Jogos Olímpicos da Juventude. A partir de 2017, passou a receber auxílio do programa Bolsa Atleta.

A rotina da atleta não é diferente da de qualquer profissional. De segunda sexta, das 9h às 11h, Milena se dedica ao treinamento físico, com academia e cardio. Após o intervalo, é taekwondo até as 18h. Os sábados de manhã também são dedicados ao esporte. Para lidar com as derrotas, também conta com o trabalho de “coaching emocional”. “No começo, eu sofria um pouco por não gostar de perder. Querendo ou não, faz parte."

Lute como uma garota

Milena foi a 1ª brasileira a se classificar para os Jogos Olímpicos da Juventude, em 2014

Milena foi a 1ª brasileira a se classificar para os Jogos Olímpicos da Juventude, em 2014

Reprodução/Instagram

Quando questionada se enxerga machismo no tratamento à atletas mulheres, Milena responde que nunca presenciou nada do gênero, exceto por “aquelas brincadeirinhas, mas nada demais”. A mensagem que quer deixar a jovens atletas como ela é “sempre acreditar em si”.

“Eu digo para experimentar. As vezes a gente vê [o esporte] com outros olhos, mas quando vivencia percebe que não tem nada disso: uma mulher pode fazer uma luta, pode ser forte, pode fazer o que quiser. ”
Milena Titoneli

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