Plano Alto Conheça a história da minissérie Plano Alto

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Trama de Marcílio Moraes tem como tema a política atual brasileira

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Depois de toda uma vida dedicada à política, é natural que Guido Flores, atual governador do estado, beirando os 70 anos, sonhe chegar ao mais alto cargo da nação, a Presidência da República. Razoavelmente cotado nas pesquisas e com bom apoio no partido, ele tem dedicado a maior parte da sua energia nos últimos meses a trabalhar pela candidatura nos bastidores e julga que terá uma campanha tranquila pela frente.

Nos últimos meses, porém, começaram a surgir denúncias e acusações contra ele, culminando com o movimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa para apurar irregularidades do uso de dinheiro público no seu governo. Alega-se que seu antigo Chefe de Gabinete, morto há mais de um ano em circunstâncias não claramente explicadas, lidera uma verdadeira quadrilha montada para desviar verbas oficiais para contas particulares, esquema do qual, em última instância, seria o próprio governador o maior beneficiário.

Para um homem que pegou em armas contra a ditadura de direita e que se alimentou das utopias comunistas das décadas de sessenta e setenta, ainda que posteriormente tenha se tornado um político de perfil tradicional, de direita, estas são acusações amargas de suportar. Não que no íntimo ele se julgue um santo, sempre soube que não se faz política sem sujar as mãos. Jamais, porém, se teve na conta de corrupto e muito menos “ladrão safado”, como vê estampado em cartazes contra ele.

Admite que tem um ponto vulnerável, já que depositou confiança excessiva em seu ex-chefe de gabinete. Mas, ainda que se prove alguma acusação concreta contra seu funcionário, no que ele não acredita, ainda assim seria impossível estabelecer qualquer ligação entre o subordinado e ele, governador de estado. Tem a consciência limpa, pelo menos neste caso. Baseado nestas convicções, Guido Flores de início suspeita e logo passa a ter certeza de que por trás do movimento moralista contra ele está uma articulação para minar sua candidatura a presidência. Desconfia do Presidente da República, Ângelo Torril, mas não consegue um indício concreto sequer para sustentar a desconfiança.

Fiel a sua história de batalhador, ele vai enfrentar os inimigos com todos os recursos de que dispõe. Recorre a seu filho, o deputado federal João Titino, com quem mantém relações pessoais distantes, mas em quem confia politicamente, e à mulher deste, Júlia, deputada estadual aguerrida, para comandarem nas casas legislativas, e também fora delas, sua defesa e sua reação.

João e Júlia vasculharão o passado do deputado Papudo, líder do movimento contra o governador, e descobrirão episódios comprometedores, que logo estarão nas páginas dos jornais e nas redes sociais, colocadas sutilmente por Carlos Alberto, jornalista e genro de Guido. A difamação, muitas vezes acompanhada da calúnia, será das armas mais utilizadas, por ambos os lados, na guerra que se travará.

Mas apesar do poder de fogo de que dispõe, o governador se verá em determinado momento fragilizado e acuado. Quando se derem conta da gravidade da situação, os contendores de ambos os lados reformularão suas posições. Secretamente, Papudo oferecerá a João vantagens políticas, apoio a sua candidatura a prefeito e recursos para a campanha, caso ele convença Guido a fazer uma retirada honrosa, em troca de um relatório final da CPI brando e inconclusivo.

Guido, com seu faro político, perceberá o tamanho e a profundidade do problema. Sabe que está acuado e solitário, mas decide não se entregar. Ele, que até então, não aceitara qualquer hipótese de convocação para depor na CPI, comunica à Assembleia Legislativa sua intenção de lá comparecer para prestar os esclarecimentos que a casa julgar por bem.

A repercussão é enorme e deixa não só os envolvidos como a imprensa e a opinião pública surpresos e curiosos. Guido Flores então despe-se da sua autoridade e senta-se diante dos membros da Comissão de Inquérito. O governador se sai bem e finaliza com uma fala carregada de emoção, avaliando criticamente o percurso da sua vida política. Após o depoimento, Guido se fecha em casa e não fala com ninguém. Naquela noite, ocorre um fato que mudará o rumo dos acontecimentos. O governador é acometido de um AVC e é internado em estado grave.

Ouvindo os frios argumentos políticos de Júlia, João resolve reverter inteiramente seu posicionamento. Despreza os acordos secretos que fez com Papudo e passa a acusá-lo violentamente, bem como a todos os adversários de Guido, inclusive o Presidente da República, Ângelo Torril, de armarem uma conspiração que culminou com a invalidez de um dos políticos mais emblemáticos do país. A tendência da opinião pública vira totalmente. De vilão, Guido Flores passa a ser visto como herói. E João Titino conseguirá, habilmente, insinuar-se como o legítimo herdeiro do líder abatido em batalha.

Coincidentemente, por força dos acontecimentos, Dora, aquela que foi o primeiro e longínquo amor de Guido, será internada no mesmo hospital, vítima de enfarte ocorrido durante a violenta ocupação de um prédio público de que participava Rico, e em que ela se meteu no afã de defender o neto. Neto de ambos, aliás.

Numa madrugada, sem ser vista, Dora se livra do soro e segue até o quarto onde está Guido, aparentemente inconsciente, mas na verdade incomunicável.  Dora conversará com o ex-amante, lembrando o passado. Para surpresa dela, ele revelará que consegue mover as pálpebras e criam um diálogo em que ele apenas pode dizer sim ou não. Nesta precariedade, os dois mantêm uma comovente conversa.

Enquanto este encontro ocorre, João inicia sua caminhada para ser candidato a presidente da República. E Rico, junto com outros anarquistas, prepara uma nova invasão de prédio público para protestar contra os poderes constituídos.