Pan Lima 2019 Neto de peixe, peixinho é: Grummy quer repetir feito do avô em Lima

Neto de peixe, peixinho é: Grummy quer repetir feito do avô em Lima

Astro do polo aquático revelou desejo de igualar conquista de João Gonçalves Filho, medalha de ouro no Pan-Americano de São Paulo, em 1963

Neto de peixe, peixinho é: Grummy quer repetir feito do avô em Lima

Grummy estará em Lima, no Peru, na disputa de seu terceiro Pan-Americano

Grummy estará em Lima, no Peru, na disputa de seu terceiro Pan-Americano

Reprodução/Instagram

Vindo de uma família de esportistas, não existia outra alternativa na vida de Gustavo ‘Grummy’ Guimarães. Hoje, aos 25 anos, o atleta do polo aquático comemora a convocação para os Jogos Pan-Americanos, que acontecem em Lima, no Peru, entre 26 de julho e 11 de agosto.

O avô de Grummy, João Gonçalves Filho, representou as cores do Brasil em cinco edições de Jogos Olímpicos, sendo duas vezes como nadador (Helsinki 1952 e Melbourne 1956) e duas como jogador de polo aquático (Tóquio 1964 e Cidade do México 1968). Em 1960, o atleta ainda carregou a tocha olímpica, além de disputar os Jogos tanto pela natação, quanto pelo polo aquático. Gonçalves, inclusive, conquistou a única medalha de ouro da modalidade em Pan, em São Paulo 1963. 

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Desde muito cedo, Grummy, eleito por dois anos consecutivos o melhor jogador da Copa Uana, competição com as melhores seleções das Américas, foi tratado como uma das grandes promessas do esporte brasileiro. Aos 16 anos já estava na seleção adulta de polo aquático.

Ele conta que nunca se iludiu e sempre trabalhou muito por saber que mesmo quem tem talento pode ser ultrapassado se não trabalhar. “Venho de uma família de esportistas e meu avô sempre disse que ser ótimo como infantil e juvenil não garante qualidade quando se é adulto ou da categoria principal. Quem dorme no ponto é superado”, afirmou o jogador.

O talento, somado a ascensão meteórica no esporte carimbaram o passaporte de Grummy para o Velho Continente. Aos 17 anos, o jovem jogador foi emprestado para o Pallanuoto Trisete, da Itália, no que seria a temporada mais difícil da carreira do atleta, que também já teve passagens pela Romênia e Espanha. “Na minha experiência até agora a temporada mais difícil foi a primeira na Itália defendendo o Pallanuoto Trieste. Era meu primeiro ano como profissional com um time que estava pela primeira vez na divisão mais alta do Campeonato Italiano.”

Grummy anunciou recentemente sua volta à Europa

Grummy anunciou recentemente sua volta à Europa

Reprodução/Instagram

Brasil x Europa

Grummy, que recentemente anunciou sua volta ao Quadis CN Mataró, da Catalunha, explica que as diferenças entre o polo aquático praticado no Velho Continente e no Brasil começam pela imagem que o esporte possui entre os europeus. “O respeito que o polo aquático tem na Europa já é muito maior do que o que tem no Brasil.”

Esportivamente falando, a rotina de treinos, jogos, intensidade e a força dos adversários são fatores que ainda se mostram muito diferentes do que é visto no Brasil. “São oito treinos por semana, no mínimo. Jogamos toda semana, às vezes duas vezes. O intercâmbio entre equipes fortes, mesmo para treinamentos, faz toda a diferença, pois conseguimos analisar e reavaliar o que fazemos no treino com muito mais frequência. Se necessário, corrigimos para buscar o melhor resultado.”

Pan-Americano 2019

Com o objetivo de conseguir a classificação para as Olimpíadas de Tóquio, em 2020, Grummy, junto com os demais jogadores que compõem a delegação que representará o Brasil no polo aquático, se prepara para a disputa dos Jogos Pan-Americanos 2019. Mas, antes do Pan, os atletas têm mais uma competição pela frente: o Mundial da Coreia do Sul.

A competção acontece de 12 a 28 de julho. O Brasil estreia dia 15 de julho contra a Itália, depois pega Alemanha e Japão. Já no Pan, a competição acontece de 4 a 10 de agosto. A seleção brasileira estreia contra o Peru, os anfitriões dos Jogos, e depois enfrenta México e Argentina.

Ambos os torneios classificam para Tóquio 2020, mas Grummy é realista em relação as chances da equipe brasileira. “Nossa chance no Mundial é mínima se pensarmos em lugares próximo ao pódio, mas é uma excelente preparação para conseguirmos a vaga olímpica no Pan Americano”, admitiu o atleta.

Para ele, uma das grandes dificuldades em ter torneios tão próximos um do outro, é a diferença de fuso horário, mas nada que tire a concentração de Grummy e seus companheiros. “Temos que ter claro que o nosso foco é chegar bem nos Jogos Pan Americanos e que podemos fazer algo que não foi feito desde 1963, quando o Brasil foi campeão. Na ocasião meu avô ainda defendia a nossa seleção.”

“Não será fácil, mas é possível e o trabalho está sendo feito visando esse resultado. Já tenho um bronze em Guadalajara 2011, prata em Toronto 2015, agora quero o ouro em Lima 2019”, completou Grummy, que tenta repetir o feito do avô.

*Estagiário do R7, sob supervisão de André Avelar